Como especialistas na tecnologia e serviços, naturalmente recomendamos adoção da portaria remota o quanto antes, pois temos convicção de que essa mudança é cada vez mais uma questão de tempo, dado que a mesma está comprovada na prática e continua funcionando cada vez melhor e nas mais diferentes características e perfis condominiais existentes (tamanho, formato, localização, poder aquisitivo, faixa etária, etc) e que, de fato, apresenta resultados superiores nos aspectos essenciais da segurança, inteligência da informação e economia, quando comparada à portaria presencial tradicional.
Por outro lado, apesar dos esforços de desmistificação, alguns condomínios ainda se mostram sensíveis, céticos e desinformados com relação a Portaria Remota, persistindo com "temores" que reduzem sua propensão em estudá-la seriamente e continuam postergando a decisão de implantá-la.
É comum que síndicos e conselheiros, por desconhecimento e/ou falta de disposição para se aprofundar e enfrentar o desafio, ainda se limitem a aprender à respeito com seus colegas síndicos que também não o fizeram mas “dizem que entendem” ou com seus fornecedores atuais de portaria presencial (facilities), empresas de segurança privada, instaladores de equipamentos de segurança eletrônica e até com a própria administradora. Salvo exceções, em geral esses são caminhos que vão incentivar a permanência da situação atual, seja por desconhecimento e/ou até, em muitos casos, eventual conflito de interesses. No conteúdo “O condomínio decidiu por portaria remota, e agora como avançar?” (https://falandodecondominio.com.br/o-condominio-pretende-considerar-a-possibilidade-da-portaria-remota-e-agora-como-avancar), elaboramos um conjunto de dicas essenciais para se escolher um parceiro especialista para lhe ajudar a começar bem. Em complemento, geramos conteúdo explicando que a portaria remota, por todas as comprovações (mais segura, mais inteligente, mais econômica, que valoriza o patrimônio e até ajuda a transformar), explicando que é uma mudança iminente.
Em nosso ambiente brasileiro, sempre desafiador por suas questões de segurança e custos trabalhistas, alguns condomínios mais privilegiados ainda não estão sofrendo pressões, seja por estarem localizados em regiões protegidas, seja porque seus riscos operacionais estão controlados ou suas finanças ainda equalizadas. Por outro lado é certo afirmar, que condomínios conscientes dessa tendência, porém temerosos em não conseguir aprovar em assembleia, em geral, podem promover algumas intervenções e mudança de hábitos que o aproximarão paulatinamente do ponto onde a mudança para a portaria remota lhes será mais natural:
(1) Investir em infraestrutura, equipamentos, tecnologia móvel (aplicativo) e um serviço de controle de acesso, incluindo a assistência e monitoramento das questões essenciais de segurança (eventos de porta aberta, de arrombamento, alarmes de perímetro e incêndio), para dar autonomia para os moradores, seus visitantes e prestadores de serviços regulares (cadastrados) adentrar o condomínio e começar a focar os porteiros presencias nas demais questões de atendimento, enquanto são treinados para funções futuras de maior valor para o condomínio, como concierge, limpeza e pequenas manutenções.
(2) Investir em uma portaria híbrida, em geral colocando a presencial para operar no período diurno (das 7h às 19h) onde a questão das entregas é bem maior e focar a portaria remota no período noturno, das 19h às 7h. Dependendo do tamanho e risco do condomínio, pode-se optar por um vigilante volante compartilhado, mas que deve ser proibido de ficar na guarita fazendo liberações de acesso, onde o serviço da portaria remota é a opção mais segura e eficiente. Na questão da portaria híbrida deve-se cuidar ao máximo para separar os horários de trabalho e não permitir duplicidade de funções. Com a evolução das estratégias de entrega de cartas e encomendas, recomenda-se ao condomínio a implantação de armário inteligente. Para conhecer melhor como ficam as questões das entregas com a portaria remota, temos o conteúdo (https://falandodecondominio.com.br/como-ficam-as-entregas-com-a-portaria-remota)
(3) Outro aspecto muito importante é que você, na qualidade de gestor do condomínio, interaja com o tema de forma permanente, para se ambientar com as possibilidades e interesses demonstrados pelos condôminos, buscando sensibilizá-los e promovendo maior envolvimento nas questões de controle de acesso, segurança e atendimento do condomínio. Este importante ponto possibilitará que os tópicos anteriores e mesmo a implantação de uma portaria remota aconteçam de forma gradual e ponderada com todos.
Muitas vezes as pessoas simplesmente querem manter o porteiro presencial por que se acostumaram a ter dele alguma prestação de serviço mais individualizada e temem perder essa regalia. A portaria remota não suprime esta condição, muito pelo contrário, ela favorece que o condomínio, de fato, tenha alguém servindo aos moradores, enquanto que as rotinas de acesso estarão plena e constantemente sendo realizadas por uma equipe tecnicamente capacitada, supervisionada e orientada a realizar as atividades de portaria.
Espero ter ajudado compartilhando as perspectivas acima. Suas contribuições à mim encaminhadas serão muito bem-vindas.
José Julio Pereira