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A prática da agricultura urbana nos condomínios.

Área Comum

A busca por um estilo de vida voltado à natureza - com aumento de adeptos ao veganismo, vegetarianismo e hábitos mais saudáveis no dia a dia - já vinha sendo uma tendência antes da pandemia. Com o isolamento social, isso só cresceu, favorecendo o retorno a um antigo e abandonado hábito: o cultivo caseiro para consumo de frutos, verduras e vegetais. Detectando o potencial de demanda para aquisição de sementes, mudas e brotos voltados para a agricultura urbana, surgiram empresas com tecnologia de produtos atendendo todo o país através de plataformas digitais. Ou seja, podendo comprar tudo de forma planejada, pela internet, agora ficou ainda mais fácil desenvolver hortas comunitárias nos condomínios residenciais. 

Como veremos abaixo, a horta comunitária dentro de algum espaço do condomínio pode ser desenvolvida em conceito horizontal ou vertical. E, em princípio, sua concepção apresenta apenas vantagens para toda a coletividade. Antes de abordarmos a estratégia de aprovação e os detalhes práticos dessa ideia, vamos ver quais são os pontos positivos da mesma.

Benefícios da horta comunitária

  1. Qualidade de vida: Ela pode e deve ser cultivada dentro das definições da chamada agricultura orgânica. Ou seja, sem o uso de agrotóxicos e, portanto, trata-se do plantio de alimentos mais saudáveis. Além disso, é um incentivo a que toda a vizinhança adquira o hábito de consumir mais hortaliças no dia a dia.
  2. Medicina caseira / natural: Nossos antepassados sabiam da importância das ervas medicinais para a cura de leves e pontuais problemas de saúde. Com esse cultivo comunitário adotado no condomínio, estamos possibilitando maior facilidade para aquele socorro oferecido, de repente, por um chá de boldo, de erva doce, etc.
  3. Economia: A manutenção de um local de plantio e colheita de folhas, frutos (lembrando que tomate, por exemplo, é um fruto) e vegetais pode representar um gasto menor a cada pessoa ou família do condomínio. E menos idas aos mercados.
  4. Maior senso de comunidade: Como de se trata de um esforço coletivo contínuo, cuja meta é maior prazer e saúde para todos, a horta comunitária promove integração maior entre os condôminos. Planejar, plantar e colher, tudo pode ser divertido e um compartilhamento de camaradagem.
  5. Educação infantil/ambiental: Nos centros urbanos, a tendência é que as crianças se afastem do contato com a terra e aquilo que ela gera. Nessa atividade, brincadeiras e envolvimentos podem produzir no universo infantil uma maior consciência sobre a importância e os cuidados em relação à natureza. Além de aproximá-las mais das hortaliças para além dos momentos das refeições.
  6. A beleza do verde: Além de propiciar que os condôminos se alimentem de produtos frescos e colhidos na hora, a horta comunitária pode melhorar até a estética do local, sejam edifícios ou conjuntos residenciais. O colorido, com predominância do verde, se soma à estética de encantamento provocada pelos jardins ou vasos de plantas já existentes.

E, uma vez que estamos convencidos das vantagens oferecidas pelo plantio comunitário condominial, o próximo passo será realizar o projeto e obter a aprovação geral. Para isso, alguns passos são importantes.

Preparando o caminho da aprovação

  1. Liderança: Com poio do síndico, um grupo poderá tomar a iniciativa de estudar o assunto e listar os pontos de convencimento. Levando em conta os benefícios apontados acima, esse comitê pode sugerir a data e a pauta de uma assembleia deliberativa a respeito.
  2. O pré-projeto: Como lembramos na abertura deste texto, existem hoje alternativas de fornecimento especializado de produtos e serviços voltados para a agricultura urbana na internet. Voluntários do condomínio podem fazer um levantamento que, com ou sem a ajuda de um especialista in loco, se possa delinear as melhores escolhas para o projeto.
  3. Em defesa do projeto: Como sempre surgirão os moradores refratários à ideia e, considerando que a mesma é efetivamente benéfica para toda a coletividade, é importante que o grupo líder prepare com esmero todos os pontos de convencimento.
  4. Convide gentis colaboradores experientes: poder contar com dicas e orientações de quem já tem vivência nas hortas em seu conjunto de moradias pode ser um grande trunfo para um começo promissor.
  5. Cronograma: É interessante, também, que o comitê apresente na assembleia o máximo de detalhes apara facilitar o planejamento do projeto. Entre eles, um cronograma que permita ter uma ideia de cada etapa, incluindo a primeira colheita e a manutenção do local de plantio.

Supondo que houve êxito total quanto à aprovação da proposta de construção da horta comunitária no condomínio, é hora de refinar o projeto e colocar as mãos à obra.

O projeto de agricultura urbana no condomínio

  1. Oficialização: Com o aval da assembleia, é importante documentar e registrar tudo o que ficou decidido coletivamente.
  2. Grupo responsável: De acordo com o que ficou pactuado na assembleia, um grupo encarregado, por tempo determinado, com revezamento ou não, cuidará dos detalhes para o plantio, o acompanhamento, a colheita e a divisão dos alimentos, temperos e ervas medicinais.
  3. Famílias responsáveis: Outra possibilidade é a adoção das chamadas “camas individuais”. São espécies de canteiros criados e cuidados por cada família de moradores. O importante é que a compra de sementes e insumos em geral seja coletiva.
  4. Escolha do local: vamos às alternativas que têm sido adotadas com sucesso.
  • Horta orgânica horizontal: esta é a possibilidade alcançada por condomínios de médio e grande portes. Pode-se aproveitar as áreas verdes ou ajardinadas já existentes, construindo-se canteiros estrategicamente colocados.
  • Horta orgânica vertical: falta de espaço não é problema. Mesmo um edifício de pequeno porte pode desenvolver o cultivo comunitário de hortaliças através de técnicas especializadas em apenas um metro quadrado. A alternativa do plantio vertical envolve vasos bem preparados, podendo, inclusive, se adotar opções de cunho ecológico pela reciclagem de garrafas pet como recipientes, etc.
  • Canteiros comprados: atualmente, são inúmeras as ofertas de canteiros prontos oferecidos pela internet. Pode ser uma opção interessante na relação custo/benefício.
  • Cercar o local: No caso da horta horizontal, cercar o espaço plantado diminui o risco de acidentes e de divertidos invasores, como crianças e animais.
  • Luz do sol: qualquer que seja a alternativa proposta, é fundamental que o estudo do local leve em conta a incidência de luz solar sobre a horta.
  1. Compostagem: uma das grandes vantagens da agricultura urbana em pequenos espaços, como nos condomínios residenciais, é poder dispensar o uso de agrotóxicos. A compostagem nada mais é que tornar a terra fértil para a produtividade através da decomposição de elementos naturais. Por isso, na pequena agricultura urbana, pode-se fazer uso dos resíduos sólidos orgânicos oriundos das próprias residências. Escolha um local específico para realização da compostagem.
     
  2.  Lista das sementes e mudas a serem adquiridas: Não é fácil a gradar a todos na coletividade e todos já sabemos bem disso. Portanto, a relação do que será cultivado tem que ser a mais simples e abrangente possível. 
    Eis algumas sugestões de escolhas, dependendo do espaço e conceito adotado:
    - Folhosas (Alface, coentro, couve, manjericão, cebolinha, salsa, aipo, repolho etc.); Bulbos (Cebola e alho);
    - Frutos (Abóbora, abobrinha, berinjela, pimentão, pepino, tomate, vagem, quiabo etc.).
    - Raízes (Beterraba, batata, batata-doce, inhame, mandioca; Tubérculos (Cenoura, nabo, rabanete, etc.);  Flores (Couve-flor, brócolis, etc.).
     
  3. Alavancagem subsidiada: algumas prefeituras possuem programas de incentivo à agricultura orgânica urbana, em prol da ecologia e incentivo à qualidade de vida. Estes podem alcançar as hortas comunitárias dos condomínios com os primeiros passos do projeto para o sucesso, sem custos. Da mesma forma, ONGs se envolvem com essas iniciativas. Não custa tentar esse apoio que barateia e impulsiona a iniciativa.

Manutenção permanente

Para evitar desperdício de água pela evaporação, a horta da comunidade deverá ser regada diariamente e com regularidade de horário. 

Para preservar o bom desenvolvimento do plantio, é imprescindível a retirada de plantas daninhas e prevenir contra pragas através de métodos especializados. 

Colheita e distribuição

Nas antigas civilizações – e até mesmo em propriedades individuais e coletivas modernas – as primeiras colheitas de cada safra eram, ou são, chamadas de primícias e amplamente festejadas. Na cultura judaica, por exemplo, servia de parâmetro para os dízimos a serem oferecidos no templo. Então, que tal marcar uma festa bem divertida no condomínio para celebrar a primeira colheita da horta?

Fica a sugestão. Mas, o importante é que tudo aconteça dentro do bom senso combinado e permanente. Moradores se unem para colher, embalar os kits pré-programados e deixar em local para que os moradores se sirvam, solidária e democraticamente. E, a cada leva de hortaliças colhidas, o processo se repete.

Dicas e regras

Lembre-se sempre: o conceito desse cultivo de produtos orgânicos é ser comunitário. Além da colheita e distribuição geral, a horta deve ficar à disposição para as necessidades eventuais e pontuais dos moradores. 

Certifique-se de as sementes, mudas e brotos adquiridos sejam certificados como orgânicos. 

Existe um outro fator que pode, também, gerar economia no longo prazo: a rega das hortaliças com captação da água da chuva por meio de um sistema de cisternas.

Se o condomínio possuir salão de festas ou locais de confraternização, pode-se pensar em almoços coletivos em datas específicas utilizando-se dos produtos da horta. Esse é, também, uma forma de conversar informalmente sobre a qualidade dos que se está produzindo e o andamento do projeto.

Incentive a colaboração dos condôminos sobre informações a respeito das características benéficas dos produtos orgânicos para a qualidade de vida. 

Se possível, deixe um ia da semana ou do mês para que só as crianças cuidem da horta. Elas podem transformar o trabalho de retirada de ervas daninhas e todo o trabalho de rega num grande momento de diversão.  

 

Redação Portal

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